4 dias e 3 noites navegando pelo Rio Amazonas – nossa entrada no Brasil

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Hora de despedir-se dos países vizinhos e pisar outra vez na nossa terra, o Brasil. E, após 11 meses e dezesseis dias que saímos, a entrada tinha que ser especial. Nada melhor do que quatro dias navengando pelo Rio Amazonas em meio a maior selva do mundo para ir se sentindo em casa!

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Entardecer no Rio Amazonas

Saímos cedinho da cidade de Letícia, cidade fronteiriça colombiana, rumo ao lado brasileiro daquela tríplice fronteira, a cidade de Tabatinga.

Ao chegar ali, naquele “meio do nada, de lugar nenhum” e saber que pisavamos território brasileiro, ver os letreiros dos comércios com os “ç” e “ão” e escutar o português, a emoção foi grande…De volta á nossa terra!

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Fomos muito bem-vindos ao Brasil

Após passar pela PF (Polícia Federal) para dar entrada no Brasil (sim, estranho, mas precisamos carimbar a entrada), fomos direto para o porto Brás de Tabatinga onde iniciarimos a nossa jornada maluca navegando pelo rio.

Compramos as passagens, R$180,00 por pessoa, nos posicionamos na fila e esperamos o embarque.

O barco já estava atracado e podíamos vê-lo de onde esperávamos. Quem nos levaria serio o Sagrado Coração de Jesus, que, segundo o pessoal do porto e região, é o terceiro melhor barco que faz esse trajeto.

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Antes de embarcar

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Carol encaminha ansiosa para o barco Sagrado Coração de Jesus

Após algumas horas esperando por alí, recebemos algumas informações e instruções e subimos a bordo. Que emoção! Seria um cruzeiro bem diferente! Rsrs…

E foi mesmo…

Começando pela revista insana da PF (Polícia Federal). Os caras desarmaram nosso mochilão, viraram de ponta cabeça e nos revistaram tudo! A Cá foi até levada pela policial para ser revistada em um banheiro.

Depois de não acharem nada e liberarem nossa passagem, subimos e começamos a armar o acampamento.

Muito engraçado! Tinham alguns gringos a bordo, que não se conheciam entre si, mas que acabaram se aproximando entre eles e entre a gente. Terminamos sendo um grupo de dez que não se conhecia entre si, mas que se sentiu, de alguma maneira, mais confortável em estar unido naquela experiência.

Tudo pronto, instalados!

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Dormitório no barco

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Retrato dos nossos 4 dias no Rio Amazonas

E começa a aventura…

O barco deixou, lentamente, o porto de Tabatinga às 12h40 de um sábado. Não estava lotado, ainda. Mas se podia sentir que havia de tudo e de todos por ali.

Seria uma experiência e tanto…

A primeira tarde foi algo espetacular, na verdade, achamos que foi o melhor dia. O barco ainda não estava superlotado, o visual denso daquela selva, o “pulmão do mundo”, com aqueles rios, hora largos, hora MUITO largos. Tudo muito lindo e tranquilo.

Aliás, se tem uma vida que é tranquila, são esses dias dentro do barco, viu?!
Logo entendemos o porquê.

Chegou a hora do jantar, às 17h30. Sim! Cedinho mesmo. Uma senhora passa por todo o barco com um sininho que avisa a hora da refeição. Nesse momento, a galera vai formando uma fila na porta do refeitório.

Entram alguns (muitos) que vão se sentar ali para comer e outros que estão com sua vasilha na mão para pegar comida e voltar para as suas redes. Nós começamos indo comer no refeitório, mesmo. Mas, para poder estar atentos nas mochilas, sempre faziamos um revezamento: um ia comer, outro ficava nas redes com as coisas e vice-versa.

Particularmente, nós achamos boa a comida. Ao contrário do que escutamos por aí. Entendemos que foi muito arroz, feijão, macarrão e frango todos os dias e que, ao final, alguns já estam meio enjoados do menu. Mas achamos sossegado. Aliás, essa primeira refeição foi uma sopa bem gostosa e nutritiva!

O atardecer do primeiro dia foi para nos brindar as melhores boas vindas ao Brasil! Foi um espetáculo ÚNICO da natureza!

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Pôr-do-sol

Como todos já tínhamos jantado, não demorou muito para que o barco ficasse em silêncio e todos dormissem.

A selva a noite é uma coisa única. Aquela penumbra das árvores no horizonte, a água que refletia algumas estrelas e um pouco da luz da lua. E a imaginação que voa para dentro daquela floresta gigante, criando tudo o que pode estar acontecendo lá naquele momento.

Tivemos uma parada rápida a noite para que subisse mais gente e seguimos viagem…

O sol raiou. Fomos despertados pelo badalar do sininho que sempre tocava para avisar que as refeições estavam prontas, nesse caso, o café da manhã.

Era comer, separados, assim um sempre ficava de olho nas coisas e voltar para a rede ou ficar sentado por ali. Para dar uma voltinha, sempre valia uma subida no último piso do barco, onde funcionava um barzinho com refrigerantes, cervejas e porções.

O dia do meio da viagem foi aniversário do Ivan e, coincidentemente, Páscoa. Um dia tranquilo, que proporcionou muita reflexão sobre tudo o que vivemos até aquele momento, a nossa entrada no Brasil. Um momento especial!

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Um dos povoados, no meio do caminho

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Carol e nossos amigos, fazendo artesanato

O dia foi tranquilo, mas nem tanto. Em uma das paradas subiram muitas pessoas, incluindo uma família. Que, aparentemente, eram muito simpáticos e legais.

O que aconteceu foi que uma das mulheres se aproximou muito da gente e dos gringos que estavam ao nosso lado. Pensamos que era porque ela queria interagir e conhecer. Mas, em um dos momentos, a Carol acabou escutando uma conversa dessa senhora com o irmão dela. Eles estavam de olho na gente e nos gringos. Então, não podíamos bobear.

Enfim, correu tudo bem. Mantivemos a calma e triplicamos a atenção nas nossas coisas. Um pouco de tensão e nada mais.

E assim foram passando os dias no barco. Com algumas paradas que acabaram lotando o barco e com mais duas revistas da PF. Uma delas de madrugada, bem estranha… Os polícias entraram no barco e acordaram a todos, pedindo que ninguém se movimentasse, senão seria visto como algo suspeito.

De modo geral, nossa estadia foi inesquecível. Foram lindos e tranquilos dias e com muita comida! Dormir, comer, escrever e fazer pulseirinhas foram nossas maiores atividades.

Aliás, a história das pulserinhas foi muito legal. Muita gente passou e viu a Carol fazendo as pulseiras. Acabou que algumas pessoas encomendaram pulseirinhas para comprar. Conhecemos ótimas pessoas, com destaque para a Solânge e o Jota que foram uns ótimos amigos por aqui.

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Solânge, Jota e nós

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Carol e nossos amigos, fazendo artesanato

Ao final, juntamos R$15,00 e um guaraná com venda dos artesanatos e muita troca de cultura com essas pessoas que quiseram se relacionar com a gente. Muito legal!

Foram longos, curtos, tranquilos, tensos, maravilhosos, chuvosos, produtivos e ociosos dias naquele barco. Sim, uma mescla de emoções maluca e única.

Bem de manhanzinha, atracamos no porto de Manaus, mais um pouco de ansiedade para pisar em solo brasileiro e alguma tensão e atenção em tudo o que estava acontecendo.

Descemos! Agora, era ver o que aquela cidade grande, no meio do “pulmão do mundo”, tinha para oferecer.
Para ver as informações de como viver essa louca experiência veja o nosso Passo a passo de Letícia/Tabatinga a Manaus.

Confira nosso Passo a Passo até Manaus, com muitas dicas de embarcações e horários.


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